A decisão do governo de questionar no STF, na semana passada, o inquérito das fake news, motivo de pesadelo do bolsonarismo, era uma forma de qualificar a estratégia de Jair Bolsonaro no embate com ministros do Supremo. A pedido do TSE, Bolsonaro é formalmente investigado no inquérito.

Para uma ala moderada de aliados do presidente, que considera um erro a tentativa de pressão contra magistrados no Senado, Bolsonaro poderia valorizar sua posição em relação ao tribunal se deixasse de radicalismo e apenas atacasse decisões controversas como o inquérito aberto sem a participação da PGR.

Em vez de ficar atacando no campo pessoal os ministros Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes, Bolsonaro poderia deixar de lado a discussão do impeachment, já que não há crime para fundamentar a proposta.

O presidente ingressou na quinta com uma ação para impedir o tribunal de abrir inquérito “de ofício”. A ação, assinada por Bolsonaro e pelo advogado-geral da União, Bruno Bianco, questiona o artigo 43 do regimento interno do Supremo, que deu origem ao inquérito das “fake news”.

O presidente até deixou os auxiliares sonharem com a ideia de moderação no caso da ação da AGU, mas implodiu tudo na sexta.