O fundador da XP, Guilherme Benchimol, disse nesta terça-feira, 24, no evento anual da corretora, agora banco, que os “neobanks” fazem um “marketing extraordinário”, mas cobram juros que não permitem que o cliente sobreviva no logo prazo. E Benchimol tem razão. Os novos bancos cobram juros como se fossem bancos velhos. O Banco Central tem uma lista que retrata o juro médio cobrado por cada instituição. Como é um juro médio, isso significa que alguns clientes podem pagar mais e outros menos. Na lista do BC, o juro médio do cartão de crédito rotativo regular do Nubank, por exemplo, é de 11,53% ao mês, a do C6 Bank é muito parecida, 11,73%, a do banco Digio, que tem como sócios Bradesco e Banco do Brasil, é de 15,78% ao mês, a do banco BTG, 9,52%.

Mesmo a opção de juros para parcelamento do cartão, já que o Banco Central passou a proibir que os bancos mantenham um cliente por mais de 30 dias pagando os juros abusivos do cartão, é exorbitante. O Nubank cobra 9%, mais alto que os juros tabelados do cheque especial em 8%. O C6 cobra 8,45%, o Digio 7,31% ao mês e o BTG, 6,26%. Dos bancos digitais que estão na parte inferior da lista do BC, com juros mais baixos, estão a XP, que cobra na média 3,89% ao mês, e o Banco Inter, que cobra 5,58% ao mês.

O que Benchimol não contou é que para ter um cartão da XP é exigido um mínimo de 50 mil reais investidos, o que outros bancos não exigem. Daí fica mais fácil cobrar mais barato. O Nubank, por exemplo, dependendo do perfil de crédito do cliente,  cobra 2,75% ao mês no rotativo do cartão.