Samir Merode recebeu um cão-guia Ipê, que foi treinado em Santa Catarina. Reportagem veiculada no Jornal do Almoço está disponível no G1 com audiodescrição. Reportagem com audiodescrição mostra a adaptação de um cão-guia e um auditor no RS
O Rio Grande do Sul conta com nove cães-guia, animais que auxiliam pessoas cegas em atividades cotidianas, segundo um centro especializado no treinamento dos animais mantido pelo Instituto Federal Catarinense (IFC). O campus, localizado em Camboriú (SC), prepara cachorros e instrutores a fim de atender pessoas com deficiência no Sul do Brasil.
Uma das pessoas que recebeu um cão-guia em 2021 foi o auditor do Tribunal de Contas do Estado (TCE) do Rio Grande do Sul Samir Merode, de 38 anos. Ele começou a perder a visão quando tinha 15 anos, ao ser diagnosticado com retinose pigmentar. A doença causa a perda gradativa da visão, com a degeneração das células da retina.
“Desde o primeiro dia, ele já gostou de mim e eu gostei dele. A gente tem confiança mútua. É libertador”, diz.
Em 2014, Samir se cadastrou no edital público para receber um cão-guia. Desde junho, Samir convive com Ipê, um mestiço de Labrador e Golden Retriever de pelo preto.
Para conseguir um animal treinado pelos institutos federais é necessário estar inscrito no Cadastro Nacional de Candidatos à Utilização de Cães-Guia do governo federal. Organizações não-governamentais também fazem doações de cachorros. Confira detalhes abaixo
O Jornal do Almoço, da RBS TV, acompanhou o processo de adaptação do Samir e do Ipê, com o apoio de um treinador. A reportagem exibida neste sábado (20) está disponível com audiodescrição no G1. Clique no player de vídeo no topo da reportagem.
Samir, de roupas escuras, atravessa rua na faixa de segurança; o cão-guia Ipê, de pelo preto, está à esquerda do tutor; atrás, instrutor acompanha dupla. No fundo, carros aparecem estacionados ao lado da calçada em frente à sede do TCE em Porto Alegre
Reprodução/RBS TV
Samir e Ipê
Do ponto de ônibus até o trabalho, Samir precisa atravessar uma avenida movimentada e uma rua no Centro Histórico de Porto Alegre. O trajeto, feito com o apoio de uma bengala por 10 anos, agora é mais seguro, com o auxílio de Ipê.
Sem poder usar o transporte público sozinho, Samir pode levar o guia dentro dos ônibus, graças a uma lei vigente na Capital desde 1999. Uma lei federal garante o direito de permanência de uma pessoa com seu cão-guia em todos os estabelecimentos de ordem pública ou privada.
“Foi a primeira vez hoje, um treinamento, mas eu achei muito tranquilo. Eu achei bem mais fácil do que eu imaginei que seria. Dentro do transporte público também, foi tranquilo também. Eu achei que seria difícil embarcar no ônibus, achar um lugar, mas foi certinho, ele sobe no ônibus”, conta.
A mesa de trabalho de Samir fica no segundo andar do prédio. Enquanto ele trabalha, Ipê descansa e ganha carinhos dos colegas do auditor. O supervisor de informática do TCE, Alexandre Porto Debeluck é um dos que interage com o cão-guia.
“Foi muito esperada a chegada dele, muito importante para ajudar o Samir”, relata Debeluck.
Samir ingressa com cão-guia Ipê no escritório onde trabalha no TCE, em Porto Alegre; ambos aparecem no fundo, acessando o espaço por uma porta. À esquerda e à direita, computadores estão postos sobre mesas brancas, com cadeiras pretas em frente. No centro da imagem, aparece um corredor com piso madeira clara
Reprodução/RBS TV
Processo
O IFC é um dos órgãos que promove o treinamento de cães-guia no Brasil. O professor Leonardo Goulart Nunes explica como funciona o processo público que seleciona os animais para pessoas cegas. A fila de espera é longa, afirma.
“A demanda é muito alta. Segundo o censo do IBGE, nós temos 512 mil pessoas cegas totais no Brasil e contando cegos e baixa visão, vai para mais de seis milhões. Atualmente, trabalhando no Brasil, tem 130 cães-guia”, detalha.
Esses animais não podem ser comprados e a pessoa com deficiência precisa comprovar autonomia para ter um desses cães. Os especialistas ainda analisam critérios como a velocidade de caminhada, para oferecer um cachorro que consiga acompanhar o ritmo do tutor.
Informações podem ser consultadas no site do Centro de Formação de Treinadores e Instrutores de Cães-Guia e Inclusão do ICF de Camboriú. Confira o link abaixo.
Além do Instituto Federal, organizações não-governamentais como a Escola de Cães-Guias Helen Keller, de Santa Catarina, o Instituto de Responsabilidade e Inclusão Social (IRIS) e o Instituto Magnus, ambos de São Paulo, fazem doações de animais a quem precisa. Confira os links abaixo
Páginas na internet:
Clique aqui para acessar o site do Instituto Federal Catarinense
Clique aqui para acessar o site da Escola Helen Keller
Clique aqui para acessar o site do IRIS
Clique aqui para acessar o site do Instituto Magnus
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