A primeira audiência para oitiva de testemunhas do processo que apura a morte de João Alberto Silveira Freitas no supermercado Carrefour, em Porto Alegre, foi realizada na quarta-feira (18). O crime ocorreu em novembro do ano passado, no bairro Passo D’Areia, na Zona Norte.

Três pessoas convocadas pela acusação foram ouvidas presencialmente no Foro Central da Comarca da Capital: Milena Borges Alves (viúva de Beto), Milton Rafaeli Machado (ex-segurança do estabelecimento) e Priscila Brasil Geossling (que viu no local parte das agressões à vítima). Os trabalhos tiveram a condução da juíza Lourdes Helena Pacheco da Silva, da 2ª Vara do Júri.

Até dezembro, estão marcadas mais nove audiências para depoimentos de outras 30 pessoas indicadas pela acusação e pelas defesas dos seis réus. A próxima oitiva ocorrerá no dia 25 deste mês.

São acusados Magno Braz Borges, Giovane Gaspar da Silva, Adriana Alves Dutra, Paulo Francisco da Silva, Kleiton Silva Santos e Rafael Rezende. Todos respondem por homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima) com dolo eventual.

A vítima – um homem negro de 40 anos – foi espancada por seguranças do supermercado após um desentendimento que começou nos caixas do estabelecimento. Imagens de câmeras de vigilância mostram Beto dando um soco em um dos seguranças antes de ser espancado até a morte no estacionamento do Carrefour.

O crime, que ocorreu na véspera do Dia da Consciência Negra, provocou uma onda de protestos contra o racismo na Capital. Atos de vandalismo também foram registrados.