Há dias que ficam marcados na história de uma comunidade. Os moradores de Araçatuba, município de 198 000 habitantes no interior de São Paulo, não se esquecerão de segunda-feira 30, quando ao menos duas dezenas de bandidos com explosivos, fuzis e metralhadoras (além de drones, carros blindados e coletes à prova de balas) submeteram a cidade ao terror. Usaram reféns como escudos, explodiram três bancos, incendiaram veículos e trocaram tiros com a polícia por mais de duas horas (no flagrante da imagem acima, dois bandidos em ação). O saldo foi trágico: dois residentes mortos (além de um suspeito), ao menos seis feridos (um teve os pés amputados) e uma população traumatizada. Na terça-feira, a região central foi interditada, o comércio fechou e as aulas foram suspensas até que a polícia localizasse nada menos que 98 explosivos espalhados pelos criminosos em fuga. Cinco suspeitos foram presos nos dias seguintes. A PF entrou na investigação, até porque esse tipo de ação se tornou comum no país, sempre com o mesmo padrão: atacar cidades médias, com razoável rede bancária e uma estrutura policial modesta. O modus operandi rendeu ao ataque o rótulo de “novo cangaço”. O “velho cangaço” acabou sendo sufocado por uma ofensiva ordenada por Getúlio Vargas e as cabeças dos bandidos foram expostas como símbolo da vitória. Desta vez, o triunfo só virá com inteligência policial, aparelhamento das forças de segurança e uma investigação séria que aponte quem dá estrutura a esse tipo de terrorismo.

Publicado em VEJA de 8 de setembro de 2021, edição nº 2754