Omar Atbai, de 30 anos, deixou o Afeganistão na guerra civil, em 1996, morou na Índia e se mudou, em 2002, para o Brasil com a família. Pai ainda vive no país. Omar Atbai, de 30 anos, deixou Cabul em 1996, morou na Índia e, há quase 20 anos, mora em Porto Alegre
Arquivo Pessoal
Há quase 20 anos morando em Porto Alegre, Omar Atbai, de 30 anos, assistiu desolado às imagens da tomada do palácio presidencial pelo Talibã e a tentativa de fuga de afegãos em voo de Cabul, no Afeganistão.
“Quando vi as imagens fiquei muito triste. Fiquei abalado”, afirma.
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Em 1996, então com cinco anos, Omar deixou a capital afegã durante a guerra civil para morar na Índia com a família. Mais tarde, em 2002, se mudou para a capital gaúcha com a mãe e duas irmãs, enquanto que o pai viajou ao Brasil, mas logo retornou ao país de origem.
Omar Atbai em Porto Alegre
Arquivo Pessoal
“[A] ONU mandou nós pro Brasil para ter uma vida melhor”, conta o hoje cidadão brasileiro, que trabalha no setor de informática.
Nesta segunda-feira (16), ele conversou com o pai, que tratou de tranquilizá-lo. “Ele está bem, graças a Deus. Ele falou que essa vez o Talibã é diferente do que foi entre 1996 e 2001”, afirma.
Neste período, Omar nunca mais retornou ao país-natal. Acompanhou sempre de longe o desenrolar da história já distante na memória. Mas percebia nos anseios especialmente das mulheres da família a angústia pelas regras impostas pelo regime.
“As mulheres vão sofrer com regime talibã. A minha mãe e irmã estão muito preocupadas com as mulheres no Afeganistão. Estão muito chateadas e tristes. Durante 20 anos, a minha mãe acompanha sempre as notícias. Ficava sempre preocupada com os acontecimentos por causa de toda a família dela que mora no Afeganistão”, relata.
Para ele, a retirada das tropas dos Estados Unidos, neste momento, foi errada. “Fizeram mal. Eu acho que não era momento para deixar o país. Mas meu pai falou que agora não vai ter mais ataques na cidade, ataque suicida e carro bomba. Durante 2002 a 2021 morreram muitos civis por causa do talibã”, diz Omar.
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Por outro lado, ele comenta que não conhece ninguém que pretenda deixar Cabul pelo menos por agora.
“Ninguém me pediu ajuda. Vão permanecer no Afeganistão”, assegura.
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