ID CTVM avalia recebíveis de assinatura de banda larga residencial como lastro para expansão de redes de fibra óptica

Emilio Marvento
Emilio Marvento
ID CTVM

Provedores regionais de internet que investem na expansão de redes de fibra óptica até a residência do consumidor final utilizam a receita recorrente de assinaturas como lastro para antecipar recursos destinados à construção de novos trechos de rede

A expansão da infraestrutura de fibra óptica até a residência do consumidor final, tecnologia conhecida pela sigla FTTH, consolidou-se como o principal vetor de crescimento do mercado brasileiro de banda larga fixa nos últimos anos, impulsionada tanto por grandes operadoras nacionais quanto por um número crescente de provedores regionais e municipais especializados em atender cidades de médio e pequeno porte. Para esses provedores regionais, o investimento necessário para levar cabeamento de fibra óptica até cada residência costuma anteceder em meses ou até anos o momento em que a receita de assinatura de cada novo cliente conectado começa a se converter em fluxo de caixa relevante para a operação.

Fundos de investimento em direitos creditórios lastreados na receita recorrente de assinaturas de internet surgem como alternativa para financiar essa expansão, permitindo que provedores regionais antecipem parte da receita futura de sua base de clientes já conectados, direcionando os recursos para a construção de novos trechos de rede em áreas ainda não atendidas.

Taxa de churn e densidade de conexão por trecho de rede influenciam a análise

A estruturação de um fundo lastreado em recebíveis de assinatura de banda larga residencial depende do acompanhamento de dois indicadores centrais: a taxa de cancelamento de assinaturas, conhecida no setor de telecomunicações como churn, e a densidade de conexão obtida em cada trecho de rede construído, ou seja, a proporção de residências efetivamente conectadas em relação ao total de imóveis passados pela infraestrutura de fibra instalada. Trechos de rede com baixa densidade de conexão tendem a gerar retorno mais lento sobre o investimento realizado, o que impacta diretamente a previsibilidade do fluxo de recebíveis elegível a uma operação de crédito estruturado.

“Um trecho de rede de fibra óptica recém-construído carrega um risco distinto de um trecho já consolidado, porque a receita depende diretamente da velocidade com que novos clientes são conectados à infraestrutura instalada. Segmentamos a carteira de recebíveis conforme a maturidade de cada trecho e acompanhamos de perto a taxa de cancelamento, para que a expectativa de retorno apresentada aos investidores reflita com precisão a fase em que cada rede se encontra”, avalia o executivo.

A ID CTVM atua como administradora fiduciária e custodiante de fundos estruturados voltados a diferentes segmentos da economia real, o que inclui operações lastreadas em recebíveis de provedores regionais de internet, aplicando a esses ativos processos de conciliação em tempo real e auditoria de lastro utilizados em fundos de outros segmentos de infraestrutura digital sob sua administração. Habilitada pela Comissão de Valores Mobiliários e pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais, a companhia soma a esse segmento a experiência acumulada em mais de 550 fundos ativos de diferentes perfis.

Concorrência regional influencia a taxa de cancelamento

Provedores regionais de internet costumam operar em mercados com presença de múltiplos concorrentes, incluindo grandes operadoras nacionais e outros provedores locais, o que torna a intensidade da concorrência em cada praça um fator relevante na análise de risco de uma operação lastreada em recebíveis desse setor. Municípios com menor densidade de concorrentes tendem a apresentar taxas de cancelamento mais baixas do que praças com disputa mais acirrada por clientes, o que influencia diretamente a estabilidade do fluxo de recebíveis ao longo do tempo.

Provedores que diversificam sua atuação entre diferentes municípios, em vez de concentrar toda a operação em uma única cidade, tendem a apresentar uma carteira de recebíveis mais resiliente a fatores competitivos localizados, característica que administradores fiduciários consideram na avaliação da qualidade de cada operação. A oferta combinada de pacotes com serviços de streaming e telefonia móvel, cada vez mais comum entre provedores regionais, também influencia a taxa de retenção de clientes, ao aumentar o custo percebido de troca para um concorrente.

Idade da base de clientes influencia a previsibilidade do fluxo

Trechos de rede de fibra óptica recém-construídos tendem a apresentar um comportamento de receita distinto de trechos consolidados há mais tempo, uma vez que clientes recém-conectados ainda estão dentro do período em que a taxa de cancelamento costuma ser mais elevada, fenômeno observado de forma recorrente em serviços de assinatura que dependem de fidelização progressiva do usuário. Por esse motivo, administradores fiduciários costumam segmentar a carteira de recebíveis de um provedor regional conforme a maturidade de cada trecho de rede, atribuindo maior previsibilidade a bases de clientes já consolidadas há períodos mais longos.

A qualidade do atendimento ao consumidor final, incluindo o tempo de resposta a chamados técnicos e a frequência de interrupções no serviço, também influencia de forma indireta a taxa de cancelamento de cada provedor regional, ainda que não seja objeto direto da análise de crédito estruturado. Provedores que investem em centrais de atendimento próprias e em equipes técnicas dedicadas à manutenção da rede tendem a registrar taxas de churn mais baixas do que operações que terceirizam integralmente esse suporte, diferença que se reflete, ao longo do tempo, na estabilidade do fluxo de recebíveis elegível a uma operação de crédito estruturado.

Perspectivas para o crédito estruturado na expansão de banda larga

Com a expansão de redes de fibra óptica mantendo ritmo consistente em municípios brasileiros de médio e pequeno porte, a tendência é que operações de crédito estruturado lastreadas em recebíveis de assinatura de banda larga residencial ganhem espaço complementar dentro da indústria de FIDCs voltada à infraestrutura digital. Para administradores fiduciários especializados nesse tipo de operação, o acompanhamento da densidade de conexão e da taxa de cancelamento de cada provedor deve seguir como um fator relevante para sustentar a confiança de investidores nesse segmento em expansão da economia real.

Sobre a ID CTVM 

A ID CTVM é uma instituição especializada em infraestrutura para o mercado de capitais, com serviços de administração fiduciária, custódia, escrituração, controladoria e distribuição de fundos de investimento. Fundada em 2020, a companhia reúne atualmente mais de 550 fundos e mais de R$ 50 bilhões sob administração e custódia, com presença relevante em estruturas como FIDCs, FIPs e FIIs. Combinando tecnologia, governança, conhecimento regulatório e eficiência operacional, a ID oferece suporte a gestores, investidores, empresas e demais participantes do mercado, contribuindo para operações mais seguras, eficientes e transparentes.

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