SÃO PAULO – A vacina contra o coronavírus da Johnson & Johnson é segura e parece gerar uma resposta imune promissora em voluntários jovens e idosos, de acordo com dados de testes publicados na última quarta-feira (13) na revista científica New England Journal of Medicine.

Os resultados analisados pelos cientistas se referem às fases 1 e 2 do teste clínico, as mais experimentais da pesquisa clínica.

Diferentemente das vacinas da Pfizer e da Moderna, que exigem a aplicação de duas doses, o produto da Johnson & Johnson está sendo testando numa formulação de dose única. O armazenamento também é uma das vantagens, já que ela não precisa ser guardada em temperaturas ultrabaixas.

Essas particularidades do imunizante o tornam mais viável logisticamente, já que ele permite vacinar um número maior de pessoas com menos doses e possui um armazenamento mais simples.

Outro fator faz da vacina da Janssen uma ótima candidata: o preço. Em outubro de 2020, o vice-presidente do Comitê Executivo da Johnson & Johnson, Joaquín Duato, falou que a estimativa da empresa é que a dose única do produto final custará menos de dez dólares (cerca de R$ 52, na conversão atual).

Resultados

Os cientistas da J&J designaram aleatoriamente adultos saudáveis ​​entre 18 e 55 anos e com 65 anos ou mais para receber uma dose de alta concentração; ou uma de baixa concentração, chamada Ad26.COV2.S; ou um placebo.

Alguns poucos participantes na faixa etária de 18 a 55 também foram selecionados para receber uma segunda dose da vacina. Embora o regime seja de apenas uma dose, é importante que os pesquisadores também testem outras variações do sistema de aplicação escolhido.

Segundo o estudo publicado no periódico científico, 90% dos voluntários produziu anticorpos neutralizantes detectáveis, que os pesquisadores acreditam desempenhar um papel importante na defesa das células contra o vírus, após 28 dias.

No dia 57, todos os voluntários vacinados tinham anticorpos detectáveis, independentemente da dose da vacina ou da faixa etária. A situação permaneceu estável ​​por pelo menos 71 dias na faixa etária de 18 a 55 anos, ainda de acordo com os resultados do ensaio.

Os efeitos colaterais mais comuns foram febre, fadiga, dor de cabeça, dores musculares e dor no local da injeção. Esses efeitos colaterais foram menos comuns na faixa etária mais velha, que recebeu apenas uma dose da vacina, bem como naqueles que receberam dose menor da vacina, segundo os dados.

Os dados dos ensaios clínicos de fase 1 e 2 mostram que uma única injeção da vacina “dá anticorpos sustentáveis”, disse o Dr. Paul Stoffels, diretor científico da J&J, em uma entrevista ao canal americano CNBC. O médico ainda acrescentou que esses resultados dão à empresa “confiança de que a vacina será altamente eficaz contra o vírus.”

As fases 1 e 2 do ensaio clínico envolveram 805 voluntários da Bélgica e dos EUA. A empresa espera divulgar resultados de seu teste de fase 3 com 45 mil pessoas, incluindo 7.560 participantes no Brasil, ainda em janeiro de 2021.

O fármaco da J&J é feito a partir do adenovírus 26, um vírus enfraquecido da influenza, acrescido de um pedaço da coroa do coronavírus. Ao contrário das vacina que utilizam o RNA mensageiro, como as da Pfizer e da Moderna, a técnica de utilização do adenovírus 26 é conhecida dos cientistas há anos – foram pelo menos mais de 20 outros estudos clínicos finalizados com a técnica, relacionados a diferentes doenças, utilizando o vírus enfraquecido da gripe comum.

Em contato com o corpo humano, esse adenovírus não provoca nem resfriado nem Covid-19, e sim ensina o sistema imunológico a produzir anticorpos para combater a doença.

Vacina da J&J pode alterar o curso da pandemia

Os resultados preliminares da vacina da Johnson & Johnson vêm em um momento em que as autoridades americanas reclamam que o ritmo das vacinações tem sido muito lento, já que o fornecimento de doses da vacina está abaixo da demanda.

Então, as autoridades americanas e analistas de Wall Street estão aguardando ansiosamente a autorização da vacina da J&J, que pode acontecer dentro dos próximos meses, dependendo da demora dos resultados da fase três de teses.

Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDCs, na sigla em inglês) expandiram as diretrizes de elegibilidade de vacinas contra Covid-19 na última terça-feira (13) para incluir pessoas com 65 anos ou mais, bem como pessoas com doenças preexistentes. O governo também está mudando a forma como aloca as doses de imunizantes, agora com base na rapidez com que os estados podem administrar as vacinas e no tamanho de sua população idosa.

Se a vacina da J&J for autorizada pela FDA, agência americana reguladora de medicamentos, será a terceira aprovada para uso nos EUA, depois das vacinas dos laboratórios Pfizer/BioNTech e Moderna. A vacina da Pfizer/BioNTech foi autorizada em 11 de dezembro, enquanto a da Moderna foi autorizada uma semana depois, em 18 de dezembro. Os dois imunizantes também tiveram seu uso emergencial aprovado na Europa.

Um oficial da administração de Donald Trump afirmou ter liberado no último domingo (10) as doses que estavam sendo mantidas na reserva para a segunda rodada de vacinas da Pfizer/BioNTech e da Moderna. A equipe de transição do presidente eleito Joe Biden anunciou um plano semelhante na última sexta-feira (8).

O Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos anunciou em agosto de 2020 que chegou a um acordo com a Janssen, subsidiária farmacêutica da J&J, no valor de aproximadamente US$ 1 bilhão para 100 milhões de doses de sua vacina. O negócio dá ao governo americano a opção de encomendar mais 200 milhões de doses, de acordo com o anúncio.

Já no Brasil, o Ministério da Saúde se reuniu com representantes da farmacêutica americana em dezembro em 2020 para tratar de negociações sobre as doses. Nenhum acordo de compra foi assinado oficialmente, mas as negociações falam em 3 milhões de doses entregues até maio de 2021.

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