Ônibus municipais estão sem circular na cidade. Trabalhadores afirmam que não ganharam o 13° salário de 2020, e não recebem vale-alimentação e cesta básica há mais de um ano e meio. Prefeito disse que município vai ‘dar solução para que nenhum trabalhador fique sem o ganho da sua família’. Motoristas de ônibus entram greve na manhã desta segunda-feira (11) em Guaíba
Trabalhadores da empresa Expresso Assur, que realiza o transporte público na cidade de Guaíba, fizeram um protesto na manhã desta segunda-feira (11). Os funcionários bloquearam a garagem da empresa para que os ônibus não saíssem.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Guaíba, Luiz Carlos Veiga Martins, afirma que os trabalhadores não ganharam o 13° salário de 2020, e não recebem vale-alimentação e cesta básica há mais de um ano e meio.
“Desde setembro, a gente está sabendo que a empresa não teria condições, segundo ela, de nos pagar o 13º. E começamos a negociar com ela, e acho que não teriam condições. A gente ia fazer uma paralisação no mês de outubro para chamar a atenção que a gente estava sem receber o vale-alimentação e a cesta básica há mais de um ano e meio. A prefeitura entrou na Justiça para que a gente não parasse. E desde dessa data a gente tem tendo, a cada 15 dias, uma semana, uma audiência em busca de uma conciliação sobre esse 13º”, afirma o presidente do sindicato.
Ao G1, o diretor da Expresso Assur, Cristian Isse, afirma que está aguardando uma reunião com a prefeitura para ver os rumos que serão dados para tentar restabelecer o serviço de transporte coletivo. Ele relata que desde o início da operação, em 2015, a empresa vem sofrendo com o problema de desequilíbrio no contrato.
“Entramos com 100% de frota nova, e desde o início a gente vem sofrendo com problema de desequilíbrio no contrato, as quantidades de passageiros transportados nunca se concretizaram”, afirma.
O diretor relatou que, no ano passado, a empresa aderiu ao programa federal, referente à medida provisória que permitia reduzir o salário e a carga horária dos funcionários, mas a MP acabou em 31 de dezembro.
Isse citou ainda que o transporte clandestino é um problema na cidade, porque, segundo ele, acaba “roubando” os passageiros pagantes dos ônibus.
“Desde o início da operação a gente vem sofrendo com o transporte clandestino. É uma coisa que não tem só para Guaíba-Porto Alegre, circula direto dentro da cidade. Basicamente, eles operam da seguinte forma, saem cinco, seis carros na frente [dos ônibus] e eles vão parando de parada em parada e pegando as pessoas que fazem o pagamento em dinheiro”.
A Prefeitura de Guaíba informou que está aguardando o representante da empresa para conversar, visto que é um serviço de concessão pública.
“Estamos aguardando o pronunciamento da empresa para resolver essa situação, quanto as decisões que tomarão para honrar seus compromissos. Ficamos surpresos com a greve intempestiva, mas estamos empenhados em resolver o mais rápido possível”, informa o município.
O prefeito da cidade, Marcelo Maranata, disse à RBS TV que uma solução vai ser encontrada.
“Vamos conversar com a empresa, vamos conversar também com a Justiça, para que a gente possa, da mesma maneira que outros municípios já fizeram, quem sabe, antecipar passagens, dar solução para que nenhum trabalhador fique sem o ganho da sua família”, afirma.
Rodoviários fazem protesto devido à atraso no pagamento de benefícios
Édson Oliveira/Arquivo pessoal
Ônibus municipais não saíram da garagem em Guaíba
Alfredo Pereira/RBS TV
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