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SÃO PAULO – Depois de um tombo no segundo trimestre no ápice das medidas de restrição por conta da pandemia do coronavírus, o Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre de 2020 mostrou uma retomada, conforme revelado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (3). A economia brasileira registrou alta de 7,7% no período entre julho e setembro na comparação com o segundo trimestre. Apesar da alta, o resultado foi abaixo do esperado pelos economistas.

De acordo com a mediana das projeções de economistas compiladas pela Refinitiv, a expectativa era de alta de 9% no período de julho a setembro na comparação com abril a junho, ante queda de 9,7% no segundo trimestre frente o primeiro.  Já segundo a projeção compilada pela Bloomberg, a expectativa era de que o PIB brasileiro registrasse expansão de 8,7% na comparação trimestral. A queda projetada na comparação anual era de 3,5%, de acordo com consenso da Refinitiv e da Bloomberg, mas a baixa efetiva foi de 3,9%.

Com o resultado, a economia do país se encontra no mesmo patamar de 2017, com uma perda acumulada de 5% de janeiro a setembro em relação ao mesmo período de 2019.

A indústria cresceu 14,8% e os serviços tiveram recuperação de 6,3%, enquanto a agropecuária teve leve queda de 0,5%. Na comparação com igual período de 2019, o PIB teve retração de 3,9% e, em valores correntes, chegou a R$ 1,891 trilhões, sendo R$ 1,627 trilhão em Valor Adicionado a Preços Básicos e R$ 264,1 bilhões em Impostos sobre Produtos Líquidos de Subsídios.

“Crescemos sobre uma base muito baixa, quando estávamos no auge da pandemia, o segundo trimestre. Houve uma recuperação no terceiro, contra o segundo trimestre, mas se olharmos a taxa interanual, a queda é de 3,9% e no acumulado do ano ainda estamos caindo, tanto a Indústria quanto os Serviços. A Agropecuária é a única que está crescendo no ano, muito puxada pela soja, que é a nossa maior lavoura”, destaca Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE.

No trimestre, a expansão do PIB foi causada, principalmente, pelo desempenho da Indústria, com destaque para o crescimento de 23,7% no setor de Transformação. Também houve altas em Eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos (8,5%), Construção (5,6%) e Indústrias extrativas (2,5%).

“Olhando pela ótica produtiva, o destaque foi a Indústria de Transformação, até pelo fato de ter caído bastante no segundo trimestre (-19,1%), com as restrições de funcionamento. A Indústria cresceu como um todo 14,8%, e a de Transformação 23,7%, mas voltamos ao patamar do primeiro trimestre”, analisa Rebeca.

Outro destaque foi o setor de Serviços, que têm o maior peso na economia, e apresentou crescimento em todos os segmentos: Comércio (15,9%), Transporte, armazenagem e correio (12,5%), Outras atividades de serviços (7,8%), Informação e comunicação (3,1%), Administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social (2,5%), Atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (1,5%) e Atividades imobiliárias (1,1%).

“Os serviços caíram 9,4% no segundo trimestre e agora cresceram 6,3% no terceiro trimestre. Mas não recuperou o patamar do primeiro trimestre, porque houve uma queda tanto na oferta quanto na demanda. Mesmo tendo sido retiradas as restrições de funcionamento, as pessoas ainda ficam receosas para consumir, principalmente os serviços prestados às famílias, como alojamento, alimentação, cinemas, academias e salões de beleza. O desempenho melhorou em relação ao segundo trimestre, mas ainda não voltou aos patamares antes da pandemia”, destaca Rebeca.

Quanto à variação negativa de 0,5% na Agricultura, Rebeca diz se tratar de um ajuste de safra. “O destaque é o crescimento de 2,4% no acumulado do ano, ante uma queda de 5,1% a Indústria e 5,3% dos Serviços”, apontou a coordenadora do IBGE.

Pela ótica da despesa, o que mais pesa é o consumo das famílias (65%), que teve expansão de 7,6%, num patamar muito parecido com o do PIB, destaca Rebeca. Ela observa que o indicador havia caído 11,3% no segundo trimestre, mas no terceiro o consumo de bens subiu bastante – especialmente bens duráveis e bens alimentícios da cadeia agroalimentar. “O consumo de serviços teve crescimento, mas foi bem menor do que a queda anterior, pois as famílias não voltaram a consumir no patamar anterior à pandemia”, ressalta.

Os investimentos (Formação Bruta de Capital Fixo) cresceram 11%. Mas segundo Rebeca esse desempenho está relacionado à base de comparação com o segundo trimestre em que havia caído 16,5%. “No acumulado do ano, a queda é de 5,5%. E o país ainda tem investimento em equipamentos importados e como o dólar está alto, influencia para baixo”, diz Rebeca.

No que se refere ao setor externo, as Exportações de Bens e Serviços tiveram queda de 2,1%, enquanto que as Importações de Bens e Serviços caíram 9,6% em relação ao segundo trimestre de 2020. Segundo a especialista, um dos fatores é o câmbio.

“A importação cai devido à baixa atividade econômica e ao câmbio desvalorizado. Por outro lado, a exportação não cresceu devido aos problemas de parceiros comerciais. Além das quedas na importação e exportação de serviços como viagens internacionais, que despencou assim como transporte aéreo de passageiros”, diz Rebeca.

Agricultura sobe na comparação anual

Na comparação anual entre os setores, apenas a agricultura registra alta, de de 0,4%, puxada pelo crescimento da produção e ganho de produtividade da atividade agrícola. Os destaques são culturas com safras relevantes no terceiro trimestre apontaram crescimento na estimativa de produção anual; café (21,6%), cana de açúcar (3,6%), algodão (2,5%) e milho (0,3%). Por outro lado, as culturas de laranja e feijão, cujas safras também são significativas nesse trimestre, registraram queda de 3,4% e 4,0%, respectivamente.

A Indústria registrou queda de 0,9%. A Construção apresentou queda no volume do valor adicionado (-7,9%), corroborada pela queda na ocupação nessa atividade. As Indústrias de Transformação apresentaram variação negativa de 0,2%, influenciada, principalmente, pelas quedas na Confecção de artigos de vestuário, na Fabricação de veículos e de Outros equipamentos de transporte, na metalurgia e em máquinas e equipamentos.

O setor de serviços, que têm um peso de 73% no PIB, teve retração de 4,8% na comparação com o mesmo período do ano anterior, com destaque para a queda de Outras atividades de serviços (-14,4%) e Transporte, armazenagem e correio (-10,4%). Caíram também: Administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social (-5,4%), Comércio (-1,3%), Informação e comunicação (-1,3%). Apresentaram crescimento: Atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (6,0%) e Atividades imobiliárias (2,7%).

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