A Operação “Pharmaco” segue gerando resultados no âmbito do Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos do Rio Grande do Sul, formado por Receita Estadual, PGE (Procuradoria-Geral do Estado) e Ministério Público.

O trabalho integrado entre as instituições resultou em denúncia contra oito pessoas pelos crimes de sonegação fiscal, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Além disso, foram obtidas e efetivadas medidas para indisponibilidade e sequestro de bens das empresas e pessoas físicas envolvidas, possibilitando a recuperação dos valores devidos ao patrimônio público.

Deflagrada em dezembro de 2019, a Operação “Pharmaco” cumpriu 14 mandados de busca e apreensão nos municípios de Canoas e Porto Alegre com o objetivo era combater esquema fraudulento de um grupo de empresas atacadistas do ramo farmacêutico, que lesou o Rio Grande do Sul em cerca de R$ 150 milhões em ICMS.

Após a ação ostensiva, as medidas do CIRA/RS tiveram continuidade, culminando com as denúncias e medida cautelar fiscal e uma medida de sequestro para indisponibilidade de quase 3 mil hectares de áreas rurais localizadas no Maranhão, seis imóveis residenciais e comerciais, cerca de 40 veículos, 792 bovinos e bubalinos e mais de R$ 2 milhões em contas bancárias.

Conforme apuração do comitê, os empresários denunciados viram uma maneira de potencializar seus ganhos, não pagando aos cofres públicos o tributo devido, utilizando laranjas e empresas satélites para acúmulo e ocultação patrimonial, além de usar os valores sonegados para alavancar suas operações.

As práticas irregulares geram concorrência desleal no segmento, com venda de mercadorias abaixo dos patamares normais, retirando do mercado ou impondo dificuldades para as empresas que trabalham na legalidade. Além disso, fazem com que os impostos pagos pelos contribuintes na aquisição dos medicamentos não sejam recolhidos aos cofres gaúchos, impedindo o retorno aos cidadãos em forma de serviços públicos.

O chefe da organização criminosa é proprietário de uma atacadista de medicamentos e, para praticar as fraudes tributárias, criou diversas empresas em nomes de familiares, colaboradores e/ou laranjas.

Desta forma, os acusados tentaram blindar o patrimônio e fugir às responsabilidades administrativas, fiscais e criminais, impossibilitando e dificultando o Estado de reaver o tributo sonegado. Identificou-se, também, que boa parte do patrimônio era realocado em outras empresas, as quais seguiam as atividades até serem descartadas e substituídas por novas.

A operação

A operação teve início a partir de investigação fiscal realizada pela Receita Estadual sobre o histórico e atividades de grupo econômico de cunho familiar formado por empresas e pessoas físicas que, ao longo dos anos, desenvolveu atividades no ramo de distribuição de medicamentos.

O núcleo familiar acumula dívidas tributárias milionárias de difícil recuperação pelo Estado, principalmente devido à prática de blindagem patrimonial pelos seus membros, o que dificulta o andamento regular das execuções fiscais promovidas pela PGE.

Com base nas provas colhidas em dezembro de 2019 e nos demais elementos obtidos durante as investigações, foi reforçado o conjunto probatório do esquema montado para o não pagamento de tributo, permitindo novas ações nas esferas administrativa, cível e criminal.

Os avanços resultaram na efetivação da Medida de Sequestro de Bens solicitada pelo Ministério Público, além das denúncias contra os responsáveis e Medida Cautelar Fiscal solicitada pela PGE. A Receita Estadual, por meio do Grupo Especializado Setorial de Medicamentos e Cosméticos, também segue apurando a sonegação fiscal detectada a partir dos elementos colhidos na operação.