O MP (Ministério Público) do Rio Grande do Sul deflagrou na manhã desta quarta-feira (25) a operação “Espinhos”, com o cumprimento de ordens expedidas pela Justiça Eleitoral em cinco endereços de São Francisco de Assis (Região das Missões). A investigação tem como foco irregularidades na campanha política municipal, incluindo captação ilícita de votos, transporte de eleitores, abuso de poder econômico. Foram apreendidos celulares, documentos, anotações e arquivos de computador.

De acordo com informações obtidas pelo órgão, no âmbito de um processo de apuração coordenado pelo promotor Eleitoral Vinícius Cassol, os supostos envolvidos teriam prometido ou mesmo efetivado pagamento de despesas, fornecimento de combustível e entrega de cestas básicas da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social. Por trás da ação irregular estariam candidatos de uma coligação que disputou o pleito local, encerrado em primeiro turno no dia 15 de novembro.

A força-tarefa contou com a colaboração de integrantes do Siscrim (Sistema Integrado de Investigação Criminal), Nimp (Núcleo de Inteligência do Ministério Público) e Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado).

Aumento

Até o momento, Cassol constatou um aumento de pelo menos 35% no número de kits de alimentos fornecidos em novembro, último mês da disputa para prefeito e vereadores, em comparação a outubro. Se a comparação for entre as médias dos primeiros seis meses da pandemia (março a agosto de 2020) e dos três meses de campanha eleitoral (setembro a novembro), essa elevação foi superior a 40%.

“Após a análise do material apreendido, o MP gaúcho verificará a necessidade de novas diligências ou então vai providenciar as medidas judiciais cabíveis, caso os elementos colhidos sejam suficientes para a análise conclusiva dos fatos”, ressaltou a Promotoria no site oficial www.mprs.mp.br.

(Marcello Campos)